O que toca o seu coração?

11 01 2008

Eu sempre achei uma coisa muito séria da igreja. Andamos um passo atrás na História. Quando ouvi o Bono falando isso, quase caí da cadeira. “Então é verdade”, pensei. Enquanto o mundo gritava contra a escravidão, o sul dos Estados Unidos lutavam por ela. O sul Batista dos Estados Unidos. A igreja do Senhor Jesus, os escolhidos. A mesma coisa aconteceu na luta pelos direitos civis na década de 50. Deus levantou um profeta negro para falar o que estava errado e quem foram os que mais se opuseram às suas palavras? Os cristãos do sul dos Estados Unidos. A igreja que nos antecedeu apoiou as ditaduras nos países latino-americanos, financiou a tortura de milhares de “subversivos”. Mas não vamos apontar o dedo e culpá-los por isso como se fôssemos aqueles de quem Jesus falou: Ai de vocês (…) e dizem “Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos feito o que eles fizeram, não teríamos matado os profetas”.

Nossa geração parece que anda nos passos de seus pais terrenos, e não nos passos de seu irmão mais velho. Só para dar um exemplo, o mesmo que o Bono deu, quanto tempo demorou para a Igreja se preocupar com os portadores de HIV e tratá-los não como “pecadores”, mas como pessoas por quem Cristo morreu? Quase uma ou duas décadas. Inúmeras fundações seculares já existem há anos, pessoas de todos os credos, e sem credo nenhum, têm dado suas vidas por esta causa que é nossa! “Estava doente e cuidaram de mim” (Mt 25:36).

Mas existem muitas, muitas outras causas para as quais ainda fechamos os olhos. Ainda hoje, milhões de pessoas vivem em condição análoga a de escravos; crianças e adultos trabalham a 1 dólar por dia para que possamos comprar nossos tênis Nike, mulheres (independente de serem prostitutas, casadas, fáceis, freiras) são abusadas sexualmente e sofrem violência, caladas; existem mais de 10 milhões de analfabetos brasileiros, isso sem contar aqueles que apenas “desenham o nome”; milhares de jovens se tornam inférteis, vítimas de abortos clandestinos… E qual é a nossa posição frente a isso. Não estou dizendo qual é a nossa opinião, mas o que nós, como embaixadores do Reino de Deus fazemos em relação a essas coisas.

 Normalmente, nada. Continuamos comprando nosso tênis Nike. Ainda que não precisemos dele. Continuamos achando que o governo é o culpado por tanto analfabetismo, e que o mundo é assim mesmo, um lugar ruim, onde mulheres, crianças e homens padecem, a vida é a maior das democracias, não poupa ninguém.

 Acredito que podemos mudar essa nossa situação. Se ouvirmos o Espírito que habita dentro de nós e nos deixarmos ser guiados por Ele, creio que poderemos estar a um passo à frente na História. Poderemos ser os profetas, e pastores, e mestres e evangelistas e apóstolos que Deus quer que sejamos. Poderemos cumprir as boas obras que o Senhor de antemão preparou para que cumpríssemos. Se nos comprometermos com aquilo que arde no coração do Pai e com o Seu Reino, poderemos ver as coisas mudarem.

Acredito que chegou a hora de fecharmos nossas bocas (já falamos demais sobre nós mesmo) e começarmos a viver Cristo em nós, esperança da Glória. Porque o Evangelho é o PODER, não o falar, de Deus para todo aquele que crê.


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8 respostas para “O que toca o seu coração?”

12 01 2008
Fabrício Falco (03:20:14) :

Bom eu tbm não sei qual é o problema, esses dias mesmo eu estava comentando com o líder de jovens da minha igreja: - Vamos a igreja… temos nosso grupo de dança… o grupo de teatro, e o de louvor mas crente evangeliza crente!?…. where is this love?

Posso dizer que pouco minha igreja faz em assistência social, mas o pouco que sei, as pessoas que recebiam por isso, comida no final do mês, acabavam se acomodando materialmente e espiritualmente… dificil né!

As pessoas perderam a vontade de ajudar, e quem é ajudado perdeu-se o respeito de ser ajudado… é um selva!

Estamos acostumados a pregar a auto-ajuda, mas precisamos mesmo é da ajuda que vem do Alto, e eu me incluo nessa!

12 01 2008
Amigo Careta (12:28:46) :

Acredito que é muito fácil para nós cristãos ficarmos na vidinha de sempre. Cuidarmos apenas da nossa salvação, irmos para a igreja todo o domingo, ir para o trabalhalho e não dar o exemplo de cristão.

Deus está chamando pessoas que não ficam alienadas. Que ouvem o chamado das almas que clamam por Cristo, por alimento, por água, por saneamento básico e talz.

As igrejas se preocupam mais em construir grandes templos à fazerem obras sociais.

Que possamos atender ao chamado do Senhor e ser a luz desse mundo, como devemos ser.

12 01 2008
Nemias (14:50:25) :

Post interessante. Aliás, que maestria no uso das palavras! Parabéns.
Tenho procurado influenciar as pessoas a minha volta, aqueles que o Cordeiro me deu o privilegio de servir como pastor a ser o tipo de adorador que tem atitudes, e não apenas ficar cantando que “sou do meu amado e ele é meu”, buscando manifestações, etc. Aliás, não sei se vc viu, mas escrevi um post essa semana sobre isso, incluindo os vídeos do Bono.
Grande abraço, no amor do Cordeiro Santo.

Neemias

12 01 2008
Nemias (15:00:34) :

Ah, obrigado pelo link. Somente agora eu vi!

15 01 2008
Marco Aurélio (13:05:33) :

Oi Pri! Gostei muito deste seu blog e tb do seu post! Vou deixar o meu comentário correndo o risco de ser óbvio demais no entanto as coisas mais profundas que tenho descoberto têm sido também as coisas mais simples… Acredito que o problema da igreja seja eu mesmo… Não entendo porque todas as vezes que falamos da igreja nos excluímos e falamos dela como se não fizéssemos parte dela…. Se há um problema na igreja e eu faço parte dela (considerando que a igreja é o corpo de Cristo, o ajuntamento de pessoas que se reúnem em torno dEle) e eu consigo ver problemas nela, acho que não seria óbvio demais concluir que Deus então está abrindo os nossos olhos (os olhos da nossa consciência) para que vejamos nós mesmos!!! Acredito que seja da natureza humana (acho que a palavra certa seria fraqueza humana) catar os ciscos sem jamais atingir a condição de tirar o argueiro do nosso próprio olho!!! Não discordo que estamos passando por problemas (ou será que devo usar a expressão a igreja está passando por problemas?) mas noto um fato muito interessante quando se fala sobre estes problemas, o povo de Deus nunca consegue dar um passo além do de criticar. Conseguimos um ajuntamento enorme de pessoas para analisar os problemas da igreja mas não conseguimos pessoas que se reúnam para buscar soluções!!! Acredito que o maior problema esteja no fato de toda vez que falamos dos problemas da igreja nos excluímos da mesma como se não fizéssemos parte dela. Talvez sejamos como Pedro que andou com Jesus mas na hora em que ele estava sendo julgado como criminoso ele mesmo se excluiu do grupo de discípulos e bradou: “Eu nunca vi ou andei com este homem!!”. Não temos coragem de nos identificar com este corpo (igreja) cheio de perebas, somos santos demais, limpos demais, importantes demais para isso. Acho interessante que Jesus responde a esta negação de Pedro com uma pergunta: “Pedro tu me amas?”. Sinceramente acredito que esta pergunta cabe bem para nós ao lermos este post. Será que amamos Cristo? Então porque não conseguimos amar o seu corpo (que é a igreja)? Acho que quando fazemos estas críticas achamos que estamos fazendo por Cristo ou por amor a cristo como Pedro respondeu a pergunta de Jesus mas vamos analisar a resposta de Jesus a afirmação de Pedro: “então apascenta as minhas ovelhas” … Acho que chegamos num ponto de tamanho fracasso no Evangelho que penso que chegamos a conclusão que já que não conseguimos viver o Evangelho de Jesus (suas palavras, seus mandamentos para nós) então podemos simplesmente discorrê-lo, debatê-lo, analisá-lo mas ele continua inatingível e impraticável e já que não somos o grupo dos que apascentam,dos que são modelos, exemplos, testemunhas deste evangelho, praticantes da lei do espírito e da vida, daqueles que ajuntam pessoas para Cristo pela própria virtude de Cristo em si, podemos pelo menos não fazer parte do grupo dos que não dizimam, dos que não amam, dos que não transam, dos que não dão comida aos pobres, enfim. Isso me lembra a oração do fariseu que disse: “Graças te dou Senhor por não ser como este publicano”. Continua sendo da nossa fraqueza diminuir as virtudes e exaltar as fraquezas. Já que não podemos falar da nossa obediência a Deus, vamos falar da desobediência dos outros…. Discordo que a maneira de influenciarmos as pessoas seja falando o que é certo porque isso eliminaria o amor a Deus que consiste na obediência aos seus mandamentos e é o maior dos mandamentos deixado. Acredito que a maneira de influenciarmos seja deixar de lado as críticas e passarmos a obediência, a prática do Evangelho.

17 01 2008
Retrospectiva da Semana « Blogosfera Cristã (16:43:04) :

[...] Priscilla com o texto o que toca seu coração? nos leva a reflexão sobre o agir mais do que o falar. Também pode ser lido um trecho do livro As [...]

22 01 2008
ricco (11:03:46) :

Boa percepção da Empresa (ops, era pra ser Igreja) estar um passo atrás. Mas sã as empresas e não as igrejas que estão. E não estou falando de instituições, mas de pessoas. Realmente existe muita coisa errada, mas que, além da indignação, arregassemos as mangas e comecemos na nossa rua, no nosso bairro. Se quer começar com as crianças da rua, a Expedição Mochila pode ajudar a começar hoje mesmo, ou quem sabe no próximo sábado…

Valeu pelo link, vou retribuir la no Blog EM

paz

23 01 2008
Gecilda Esteves (13:16:01) :

Como uma “boa crente” prefiro achar que a sua pergunta foi retórica… Claro que foi, aliás só pode ter sido… Não era uma pergunta para ser respondida por mim… Aliás acho que a pergunta deveria ter sido “O que toca o coração da Igreja?”
Assim transfiro o problema para a igreja contemporânea, o que me deixa bastante à vontade para falar de todas as mazelas nas quais a Igreja não interfere e de todas as suas fraquezas sem, em nenhum momento, incluir-me como parte da solução…
Como cristã tenho certeza que a sua pergunta é pessoal e intransferível e não posso me eximir de respondê-la porque eu também sou a Igreja, faço parte Dela, e não posso apenas ficar tocada ao ouvir “Senhor eis-me aqui; envia-me a mim; vou aonde o seu vento soprar; não preciso entender; meu chamado é maior do que a minha própria vida…” E cantar de um vento que me guiou para uma nova visão que mudaria minha história, minha vida, sem me perguntar se o que tocou o coração de Jesus toca meu coração também? A Bíblia fala que Jesus Cristo desceu da sua glória pra cumprir o plano de redenção de Deus pra todo aquele que crê… Que chorou quando seu amigo morreu, que se compadeceu de uma multidão com fome, que estendia a mão a cegos e coxos e lhes devolvia a saúde, que entendia que libertar um homem da opressão satânica era muito mais importante que uma manada de porcos, que olhava para adúltera e via mais que seus erros, mas alguém que se cresse em Sua palavra teria novo começo, que, até mesmo em meio a dor dilacerante que precedeu a sua morte, encontrou um breve instante para ouvir um clamor desajeitado de um condenado e liberando uma palavra de redenção ao ladrão ao seu lado na cruz…
Como cristã tive vergonha de responder essa pergunta porque o que tem tocado meu coração é uma boa exegese da palavra com as do Ricardo Gondin, Aguiar, Hernandes Dias, Cícero Bezerra ou Henri Nouwen, as melodiosas músicas da Sarah McMillan, da Hillsong, David Quinllan e as não tão melodiosas assim do Antonio Cirilo, as orações explicativas feitas pelo amigo Marco pedindo um toque de Deus em nossas vidas para que possamos fazer, pelo poder do Espírito, o que dizemos que crer….
Tive vergonha porque me deu conta que meu peito doe, mas a sua dor não é produto do “meu vizinho” mendigo que dorme toda noite abrigado na marquise do meu prédio, nem porque pude comprar meu Nike último tipo porque alguém ganhou menos de um dólar por dia, mas sim que não consegui ainda fazer aquela viagem ao exterior que tanto queria…
Tive vergonha porque lembrei de Luther King que morreu porque teve um sonho de um mundo sem preconceito, do Sr. Adam e sua esposa que, viviam em um leprosário, e ao contraírem a doença se recusaram a sair de lá para tratamento porque não haveria quem pregasse o evangelho àqueles leprosos… Lembrei daquele tal missionário que disse que enquanto cantamos coreograficamente “O Nosso General é Cristo” seus amigos morriam no Oriente Médio; da família Matioli e suas dificuldades em meio ao estado de guerra do Quênia e de tantos anônimos que escolheram fazer a sua parte na solução do problema… Eu, como eles já entenderam e por isso praticam, preciso entender que eu não sou nem serei a solução mas uma pequena parte dela e que o chamado de Deus é deve ser maior em minha vida… Bjs, ge

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